Literatura Infantil: ENTREVISTA COM O ESCRITOR: CLEITON AMÉRICO DE JESUS

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

ENTREVISTA COM O ESCRITOR: CLEITON AMÉRICO DE JESUS

 Quem me acompanha na Literatura Infantil, sabe o quanto fico honrada em entrevistar, novos escritores e autores de livros,seja poesia,historias em quadrinhos,literatura, crianças, adultos, poemas, dramas, ficção, finanças, etc...

Hoje estarei entrevistando um autor apaixonado pelas letras, seja no infantil ,dramas , comportamentos,poesias, finanças e por que não dizer detalhista nos seus textos, com um toque do leitor querer saber como vai ser o final da história criada, pensada, meditada e concluída.

Apresento a vocês : Cleiton Américo de Jesus


Entrevistadora :Rute Beserra/blog Literatura Infantil

1. Literatura Infantil:

Em primeiro lugar, quero agradecer a você por ter concedido a entrevista para o blog Literatura Infantil.

Autor:
Eu que agradeço pelo convite e pelo carinho com o meu trabalho. Para mim, essa entrevista tem um significado especial porque Colorindo com a Aghata não nasceu apenas como um projeto editorial. É um livro profundamente ligado à minha família e, principalmente, à minha filha.

Saber que essa história ficará registrada também em um espaço dedicado à literatura me deixa muito feliz. Imagino que, no futuro, minha filha possa encontrar esta entrevista e perceber o quanto ela foi importante para a criação desse projeto.

2. Literatura Infantil:

O que te inspirou a escrever o livro ilustrado, lúdico e colorido de Aghata?

Autor:
A inspiração foi minha própria filha.

Aghata é realmente o nome dela. A personagem foi criada a partir dela, da aparência dela, do jeito dela e das coisas de que ela gosta. Minha filha é morena, tem o cabelo cacheado e é uma criança maravilhosa, muito carinhosa e cheia de vida.

Ela também tem um cachorrinho chamado Buddy, que foi levado para dentro desse universo junto com ela.

Eu já trabalhava com criação de livros em diferentes áreas, inclusive livros infantis, livros de colorir e obras sobre comportamento humano. Então pensei: por que não transformar uma coisa que eu amo fazer em uma homenagem permanente para minha filha?

Foi daí que nasceu Colorindo com a Aghata.

Queria criar algo que ela pudesse olhar daqui a muitos anos e perceber o quanto sempre foi importante para mim. Mais do que um livro, eu queria deixar uma lembrança material do amor que sinto por ela.

3. Literatura Infantil:

Como você desenvolve seus personagens principais?

Autor:
Nesse caso foi diferente, porque eu não precisei imaginar Aghata do zero. Eu já conhecia minha personagem principal. Eu a vejo todos os dias.

A personagem é inspirada diretamente na minha filha, inclusive em características físicas e no universo dela. O Buddy também existe na vida real e é o cachorrinho dela.

E existe outro elemento que torna tudo ainda mais pessoal: a avó que aparece em algumas cenas é inspirada na minha própria mãe.

Então, quando olho para determinadas páginas, não vejo apenas personagens. Eu vejo minha filha, o cachorro dela e minha mãe representados naquele pequeno universo.

Talvez seja justamente isso que torne esse projeto tão diferente para mim.

4. Literatura Infantil:

Alguma parte da história de Aghata mudou significativamente durante o processo de escrita ou edição?

Autor:
O conceito principal nunca mudou: Aghata sempre seria inspirada na minha filha.

O que foi evoluindo foi a maneira de transformar esse universo familiar em cenas que também fossem interessantes para outras crianças.

Eu não queria fazer um álbum particular que só tivesse significado para nossa família. Queria que qualquer criança pudesse entrar naquele mundo, colorir, imaginar e se divertir.

Então houve um equilíbrio entre preservar a identidade da verdadeira Aghata e, ao mesmo tempo, criar uma experiência infantil universal.

5. Literatura Infantil:

O tema surgiu naturalmente ou você o explorou desde o início?

Autor:
Surgiu naturalmente porque começou com um sentimento muito simples: amor de pai.

Depois o projeto foi crescendo.

Percebi que, além de ser uma homenagem para minha filha, poderia ser também uma atividade divertida para outras crianças e uma maneira de estimular criatividade, imaginação e momentos longe das telas.

Mas a raiz continua sendo a mesma. Primeiro veio minha filha. Depois veio o livro.

6. Literatura Infantil:

Houve algum esgotamento profissional ou bloqueio criativo? E, se sim, como superou?

Autor:
Criar constantemente exige bastante da mente. Existem momentos em que você está cheio de ideias e outros em que precisa deixar o projeto respirar.

Eu gosto muito de produzir conteúdo e descobrir novos formatos. Ultimamente tenho gostado especialmente de trabalhar com o universo infantil.

Quando encontro algum bloqueio, normalmente volto à razão pela qual comecei determinado projeto.

No caso de Colorindo com a Aghata, bastava lembrar de quem havia inspirado o livro. Isso já devolvia sentido ao trabalho.

7. Literatura Infantil:

De qual ilustração do livro você se orgulha mais?

Autor:
As cenas de que mais gosto são aquelas em que Aghata está interagindo com a avó.

Elas têm um significado muito especial para mim porque, quando olho para aquelas imagens, penso imediatamente na minha mãe e na minha filha.

Existe ali uma ligação entre gerações que vai muito além da ilustração.

Para outra pessoa, pode ser apenas uma menina vivendo um momento com a avó. Para mim, existe uma história verdadeira por trás daquela cena.

É minha filha e é uma representação da minha mãe.

Por isso, provavelmente são as cenas que mais me emocionam dentro do livro. Elas acabaram registrando duas pessoas extremamente importantes para mim na mesma obra.

8. Literatura Infantil:

Parabéns pelas ilustrações. A mesma pessoa que ilustrou a capa também ilustrou as páginas dentro do livro?

Autor:
Sim. Na verdade, todo o projeto foi criado por mim desde o início.

Eu desenvolvi o conceito, os personagens, o manuscrito, as páginas internas, a composição visual e também a capa.

Isso tornou o processo ainda mais pessoal, porque eu não estava apenas escrevendo uma ideia para outra pessoa transformar visualmente. Eu acompanhei e construí cada parte do projeto.

Desde a primeira ideia até o manuscrito e a capa final, tudo foi pensado para manter a identidade da Aghata, do Buddy e daquele universo inspirado na minha própria família.

Por isso considero Colorindo com a Aghata uma obra muito autoral. Existe um pedaço da minha história em praticamente cada decisão criativa do livro.

9. Literatura Infantil:

Houve muita pesquisa para esse livro ilustrado com atividades lúdicas? O que foi mais fascinante que você descobriu durante essas pesquisas?

Autor:
Sim, existe bastante preocupação por trás de um livro aparentemente simples de colorir.

Você precisa pensar no espaço disponível para a criança pintar, na clareza dos desenhos, nas cenas, nas expressões dos personagens e na variedade das atividades visuais.

Uma coisa que considero fascinante é justamente perceber como uma criança consegue pegar um desenho em preto e branco e transformá-lo em algo completamente pessoal.

A ilustração é a mesma, mas cada criança cria uma versão diferente.

Isso também significa permitir que a criança tome pequenas decisões criativas. Qual será a cor da roupa? Do céu? Da casa? Do cachorro?

No final, o livro também passa a ser um pouco dela.

10. Literatura Infantil:

Qual desses livros trouxe a você a conexão emocional que você busca transmitir aos seus leitores?

Autor:
Sem dúvida, Colorindo com a Aghata ocupa um lugar muito particular na minha vida.

Não estou falando apenas como autor. Estou falando como pai.

Existem livros que criamos para transmitir ideias. Existem livros que criamos para contar histórias. Esse eu criei também para deixar uma lembrança.

Minha esperança é que daqui a muitos anos minha filha ainda tenha esse livro e compreenda que existia ali uma mensagem silenciosa dizendo: “Você foi importante o suficiente para virar uma história.”

E esse universo não deve terminar neste primeiro livro.

Pretendo criar novas aventuras da Aghata no futuro, ampliando esse mundo e acompanhando novos momentos e experiências.

Também quero produzir uma história infantil de leitura propriamente dita, não apenas um livro de colorir, baseada mais diretamente na Aghata real e em seu universo.

Então esse primeiro livro é, na verdade, o começo.

11. Literatura Infantil:

O livro O Cemitério dos Homens Inofensivos foi uma experiência pessoal, um sonho ou talvez um evento histórico? E por que sua escrita foi em inglês?

Autor:
O Cemitério dos Homens Inofensivos nasceu, sim, de uma experiência pessoal que vivi.

A partir daquela experiência, comecei a observar com muito mais atenção temas como identidade, dependência emocional, validação, manipulação, perda de autonomia e os padrões que podem fazer uma pessoa permanecer em relações que a enfraquecem.

Resolvi transformar isso em um livro porque percebi que muitos homens passam por situações semelhantes e, muitas vezes, não conseguem identificar o que está acontecendo até já estarem emocionalmente envolvidos.

A proposta da obra é justamente ajudar o homem a reconhecer esses mecanismos, proteger sua autonomia emocional, recuperar seus limites e não permitir que uma relação destrua sua identidade.

No meu caso, parte dessa reflexão nasceu de uma relação com uma mulher. Por isso, alguns dos mecanismos discutidos no livro aparecem a partir dessa perspectiva. Mas a intenção não é generalizar nem dizer que toda mulher age dessa forma. Manipulação, dependência e controle são comportamentos humanos e podem aparecer em diferentes tipos de relação, inclusive de maneira inconsciente.

O projeto também ganhou uma versão internacional, THE CEMETERY OF HARMLESS MEN, em inglês, porque quero que essas discussões ultrapassem o público brasileiro.

Existe também a versão em português, que ainda receberá alguns complementos adicionais e aprofundamentos voltados ao público brasileiro.

Hoje meu trabalho como autor transita entre universos muito diferentes: psicologia e comportamento humano de um lado, literatura e criatividade infantil do outro. E gosto justamente dessa liberdade de poder construir obras diferentes sem me limitar a um único gênero.

12. Literatura Infantil:

Deixe uma frase para os meus leitores.

Autor:
Eu gostaria de deixar uma frase especialmente para pais e filhos:

“Algumas lembranças desaparecem com o tempo. Outras nós podemos transformar em histórias para que permaneçam para sempre.”

E talvez seja exatamente isso que Colorindo com a Aghata representa para mim.

Uma maneira de dizer à minha filha, hoje e daqui a muitos anos: você foi, é e sempre será muito importante para mim.

Agradeço muito à Rute e aos leitores do blog pelo espaço e pela oportunidade de registrar também essa pequena parte da nossa história.

Gratidão pelo convite.

Cleiton Américo de Jesus
Style.leadership




3 comentários:

  1. Parabéns pela entrevista, ótimas perguntas. As respostas do autor foram simplesmente incrível, fiquei com vontade de conhecer mais, sobre. Visualizei que você postou , na divulgação que o apresentou, que os seus livros(autor), se encontra na Amazon, que legal, vou procurar. Boa sorte Rute, sucesso nessa volta ao Blogger. José Antonio

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  2. Olá José que bom que gostou, fico feliz que tenha gostado, recomendo que procure seus livros na Amazon, seja as histórias em quadrinhos infantil ou até mesmo esse do Cemitério dos Homens Inofensivos.

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  3. Ótima entrevista Rute, porém minha curiosidade dos Homens Inofensivos, deixaram-me curiosa, perda de autonomia, comportamentos, e que fim levaram a esses e outros sentimentos da história do tema. Interessante. Você como sempre instigando a curiosidade.Bjs RUTE, saudades querida....Quitéria

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